Um pouco do nosso passado

Nossa história

Décadas de estudos e observação

Embora o objetivo primordial do Singular Center aponte para a mais profunda transformação da civilização, da ciência, da tecnologia e da inteligência, como toda boa história, a nossa tem um começo bem antigo.

Não estamos apenas fundando um centro de pesquisa em Inteligência Artificial, mas atualizando e dando continuidade a um legado educacional e sociocientífico muito importante e valioso. O Singular Center também engloba a continuação dos trabalhos educacionais, sociológicos e de um método moderno de análise socioeconômica que se iniciaram em meados do século passado, e que servem como bases sociocientíficas, filosóficas e metodológicas deste centro.

Poucos anos depois da revolução do Aprendizado Profundo em 2012 (AlexNet), momento em que o mundo acadêmico e tecnológico voltava suas atenções para os avanços impressionantes do Deep Learning, algo chamou muito a nossa atenção: a hipótese de "vida inteligente" surgir em código e silício. Enquanto a maioria se impressionava com os resultados imediatos e empíricos dessas novas abordagens como o Deep Learning, nós decidimos trilhar um caminho diferente: dedicamo-nos ao estudo da Inteligência Artificial Geral (AGI), ainda distante, num plano muito mais filosófico do que científico, e envolta em incertezas e desafios complexos.

Inspirados inicialmente por Ben Goertzel, um dos poucos cientistas da época a liderar seriamente a pesquisa em AGI, mergulhamos em um campo que exigia não apenas conhecimentos técnicos e históricos sobre esses avanços em IA, mas também uma profunda compreensão interdisciplinar: ciência cognitiva, IA, computação, matemática, física, neurociência, sinergia cognitiva.

Com o passar dos anos, ampliamos nossa perspectiva, acompanhando os avanços de instituições como a DeepMind, testemunhando o nascimento da OpenAI, e explorando as teorias dos pensadores, filósofos e pesquisadores mais influentes neste campo, como Vernor Vinge, Ray Kurzweil, Josh Tenenbaum, Geoffrey Hinton, Yann LeCun, Nick Bostrom, entre cientistas e pesquisadores de outras áreas - e outros tempos - que também tiveram alguma influência no estudo da computação e da IA, como as influências de Richard Feynman, John Von Neumann ou Stephen Hawking. E assim, pouco a pouco desenvolvíamos a nossa própria aproximação técnica, e consolidávamos nossas bases metodológicas e filosóficas do estudo AGI, da ASI, da Singularidade, da Evolução Social, das relações e dinâmicas socioeconômicas, socioténicas e sociocientíficas que circunscrevem essa transformação cultural em torno da inteligência.

É parte muito importante de nossa história quando muitos campos diferentes, nos quais trabalhávamos em apartado, convergiram para o Singular Center por força da natureza interdisciplinar da IA, mais especificamente pela ótica que estudava a hipotética evolução da ANI para a AGI.

Nos últimos anos corrigimos, atualizamos e aprimoramos aquele método de análise socioeconômica. Trata-se de uma metodologia sociocientífica moderna, com foco nos capítulos da sociologia econômica e da sociopatologia, que estuda as confluências entre a sociologia, a psicologia das multidões, a criminologia, o direito e a medicina psiquiátrica, pesquisando como nichos, grupos e indivíduos adoecidos podem condenar uma sociedade inteira à hecatombe social: às mazelas sociais, ao genocídio, às tiranias e o autoextermínio. E assim, numa via de mão dupla, aos poucos compreendíamos que o desenvolvimento dessa nova era da ciência e da computação cognitiva dependeria de uma capacidade de compreender essa enorme teia de interações e relações humanas sedimentadas no tempo e no espaço, a compor um quadro objetivo interpretável por sistemas inteligentes, na mesma medida em que a sociologia nos permitia avaliar os possíveis impactos da evolução da IA na sociedade. Enquanto a evolução da IA absorvia as nuances desse quadro complexo porém objetivo que denominamos de sociedade, desenvolvíamos e aplicávamos sistemas de IA para nos ajudar em nossas pesquisas socioeconômicas, com foco na evolução das dinâmicas e relações socioculturais, socioambientais, socioeconômicas, sociotécnicas e socioeducativas.

Do mesmo modo, não apenas nossas pesquisas sociocientíficas, mas outros setores mais criativos como o design e as artes digitais e audiovisuais, acabaram convergindo (e com muita contundência) para esse mesmo ponto, a esse novo paradigma computacional baseado não apenas em Inteligência Artificial, mas em outras tecnologias emergentes como networks descentralizados, sistemas distribuídos de armazenamento de dados, e uma enorme confluência de aplicações em nuvem, e até mesmo sistemas gratuitos de clusters de GPUs e TPUs como o Google Colab, o que transformou profundamente a própria criatividade: como projetamos, desenhamos, criamos e construímos coisas.

Embora nosso foco inicial tenha sido a evolução da IA Restrita para a IA de Nível Humano, não nos limitamos a esse objetivo, enquanto esse objetivo foi se transformando, se degenerando numa visão muito mais abrangente e incrível do que podíamos imaginar no passado. Assim, aos poucos expandíamos as relações interdisciplinares por muitos campos, desde a sociologia até o design. Aproveitamos essa incrível oportunidade de testemunhar e experimentar uma convergência meio que natural entre diferentes ciências, inerente à natureza interdisciplinar da IA. Assim, além da pesquisa teórica da IA Geral,  realizamos pesquisas experimentais nos âmbitos da IA Generativa e da IA Aplicada, com ênfase na aplicação da IA em atividades criativas, científicas e estratégicas. Nessa jornada, compreendemos a importância de integrar conhecimentos de diversas áreas — da ciência cognitiva à filosofia — para avançar na compreensão da mente, do cérebro, da consciência e da cognição sob perspectivas novas que transcendem a neurociência ou a psicologia.

O Singular Center, mesmo que ainda em um ponto periférico desse vasto movimento global, orgulha-se de estar buscando fazer parte dessa transformação. Nossa dedicação e curiosidade sincera nos conduziram até aqui, impulsionados pelo desejo de entender um pouco mais sobre aquela que, muito provavelmente, é a mais incrível e extraordinária de todas as coisas que podem acontecer em todo o Universo: a inteligência; a capacidade de a Natureza tentar entender a si mesma.

No contexto brasileiro, enfrentamos desafios adicionais. O país ainda caminha lentamente no ensino da ciência e nos campos da computação avançada e do desenvolvimento das próximas gerações de IA, além de enfrentarmos problemas estruturais mais graves como a cisão da sociedade, polarização exacerbada, instabilidade política, cargas tributárias que tornam praticamente inviável a pesquisa científica e tecnológica de fronteira no campo da IA, insegurança jurídica, sucessivas crises econômicas, institucionais e, inclusive, morais. Reconhecendo essa realidade, estamos determinados a dar um passo ainda mais importante do que os objetivos técnico-científicos primordiais do centro, e assumindo responsabilidades sociais. Queremos não apenas possa acompanhar, mas principalmente contribuir ativamente nessa revolução tecnológica, civilizacional, científica e social, fomentando pesquisas, formando parcerias e inspirando novas gerações de cientistas, pensadores e líderes em setores da tecnologia, e ao mesmo tempo promovendo os diálogos necessários tanto para enquadrar e dimensionar corretamente os problemas, como para encontrar soluções inteligentes.

A história do Singular Center é a história de um grupo comprometido com a pesquisa e a evolução da inteligência artificial, das ciências sociais e econômicas, da arte, da comunicação e da educação; da ampliação da criatividade por tecnologias inteligentes, e da aplicação da criatividade no desenvolvimento tecnológico.

Desde o nascimento não é da nossa natureza seguir tendências; buscamos apenas saber mais sobre o mundo, compreender alguma coisa, e não dizer como as coisas devem ser. Entretanto, já podemos fazer coisas incríveis com ferramentas tecnológicas ao nosso alcance, inclusive gratuitas. E hoje, podemos criar coisas inéditas que só são possíveis através da simbiose entre máquinas e humanos, entre a inteligência biológica e a artificial. E à medida que a ASI se torna uma realidade cada vez mais evidente, continuaremos trabalhando na construção de um futuro em que a inteligência artificial continue a beneficiar a todos. Então, uma de nossas principais descobertas é que a tecnologia mais avançada da atualidade está ao alcance de todos, e realmente pode mais nos beneficiar do que nos prejudicar, desde que usadas sobre sólidas bases de integridade, onde desenvolvemos e revisamos constantemente nossas fundamentações filosóficas e metodológicas que visam o uso ético e seguro da inteligência artificial na ampliação de nossas capacidades cognitivas e faculdades criativas.

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